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Entrevista: Regina Novaes, coordenadora regional da pesquisa “juventudes Sul-americanas” PDF Imprimir E-mail
Escrito por Redação colaborou Fabiana Born   
Ter, 23 de Junho de 2009 10:45
América do Sul

A pesquisa "Juventudes Sul-americanas: diálogos para a construção de uma democracia regional" chega ao fim. O levantamento, dividido em três fases, envolveu jovens e pesquisadores(as) de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. A coordenadora regional, Regina Novaes, fala sobre a importância da pesquisa e faz uma breve análise dos principais resultados.



Ibase – Qual a importância da pesquisa e de que forma incide nas políticas públicas de cada país?

Regina Novaes – A pesquisa é inédita porque usa os mesmos roteiros – para analisar situações de jovens e fazer discussões em grupos focais – em cada país com uma dimensão regional; porque aplica um mesmo questionário de 50 perguntas, ao mesmo tempo, nos seis países; e também porque escuta jovens e adultos sobre os temas e questões dos jovens. Por tudo isso, creio que estamos contribuindo para um maior conhecimento sobre as juventudes de cada país. Assim, aumentam as chances de políticas públicas mais bem desenhadas e eficazes.

Ibase – Quais as principais contribuições de cada fase da pesquisa?

Regina Novaes – Os estudos de caso de situações de organizações juvenis em cada país permitiram o delineamento de um “campo de juventude”, isto é, uma dinâmica específica em que jovens se constroem como atores políticos que se autorreconhecessem a partir de problemas, preocupações e demandas de uma determinada geração.

Os grupos focais serviram para que percebessemos que a “identidade juvenil” não é homogênea, cristalizada, excludente. A participação juvenil se dá de maneiras diferenciadas em um espaço público ampliado – e também por meios virtuais –, e sempre haverá a possibilidade de refazer as respostas sobre 'o que é ser jovem?'.

Por meio da pesquisa quantitativa, pudemos perceber que existem temas comuns entre a maioria estatística dos jovens e a “minoria ativa”: cabe agora ver como se aproximar mais.

Ibase – E Quanto as maiores dificuldades encontradas durante as três etapas?

Regina Novaes – As dificuldades sempre foram de encontrar temas e formulações de perguntas que fizessem sentido para os jovens de cada país. Em todas as etapas, precisamos superar dificuldades de conteúdo e de linguagem para chegar à construção de roteiros de entrevistas, de roteiros para grupos focais, de perguntas desencadeadoras dos diálogos e do questionário para a pesquisa quantitativa. Valeu a pena.

Ibase – Quais os principais destaques obtidos com a pesquisa em cada um dos países?

Regina Novaes – Para além da qualidade do conteúdo, creio ser importante destacar o diálogo entre jovens de diferentes grupos e movimentos no interior de cada país. A maioria não se conhecia entre si e o projeto proporcionou um alargamento de visão e incentivou uma predisposição ao diálogo.

Ibase – Poderia fazer uma breve análise dos resultados do grupo de diálogo regional?

Regina Novaes – O diálogo regional demonstrou que é possível identificar questões comuns aos jovens dos seis países. Esta agenda comum não está dada – automaticamente – por fatores econômicos ou identidades ideológicas. A agenda será comum somente se não deixar de considerar as desigualdades e as diversidades que existem no interior de cada país e entre os países. Por isso, cada demanda que compõe a agenda tem modulações de acordo com as condições de vida de jovens rurais e urbanos, segmentados por preconceitos de raça, etnia, relações de gênero, orientação sexual, local de moradia. É uma agenda que tem de ser negociada, construída, pactuada por meio de diálogos como aqueles que fizemos.

No diálogo regional, não colocamos os desacordos “debaixo do tapete”. Ao contrário, explicitamos divergências de entendimento, de avaliação de conjunturas nacionais, de estratégias frente aos governos. E, nesse contexto de exercício de debate democrático, três conclusões me chamaram a atenção: necessidade de reconhecimento de diferentes tipos de participação juvenil (formais e informais); necessidade de ampliar a participação, chegando mais perto dos jovens “não organizados” em coletivos juvenis e importância de considerar o pessoal, o afetivo e o individual nos espaços de lutas coletivas.

Ibase – Acredita que os resultados da pesquisa atenderam aos objetivos propostos?

Regina Novaes – Certamente. Produzimos conhecimento novo e contribuímos para a ampliação do compromisso político com as demandas dos jovens do século 21 na América do Sul. Não podemos dizer que somente nosso trabalho está tendo influencia no fortalecimento dessa agenda, outros atores políticos e estudiosos também contribuem. Mas podemos dizer que fizemos uma inédita e eficaz combinação entre: instituições respeitadas nacionalmente /pesquisa em rede sul-americana; técnicas de pesquisa qualitativas/ quantitativas; diálogos nacionais /diálogo regional; incidência nos movimentos e na sociedade civil/ presença nos espaços governamentais.

Ibase – Como a pesquisa pode contribuir para ajudar a garantir os direitos dos(as) jovens?

Regina Novaes – Não podemos ser ingênuos. Os obstáculos para a garantia dos direitos dos jovens são de diversas ordens. Falta de vontade política, política econômica excludente, sistema escolar defasado, dinâmica do mercado de trabalho e crise internacional são fatores que impedem a concretização dos direitos dos jovens. Mas também acreditamos que o reconhecimento de suas demandas no espaço público é um passo muito importante. Nesse sentido, a pesquisa está dando uma significativa contribuição.

Ibase – E para a integração sul-americana?

Regina Novaes – Embora seja importante para juventudes partidárias, para jovens que militam na área da agricultura familiar, para jovens mulheres etc., esse tema ainda não está muito disseminado entre jovens. Porém, no grupo de diálogo regional, eles propuseram um caminho “circular” entre o local, o nacional e o regional. Ou seja, perceberam que, nos dias de hoje, essas dimensões podem se fortalecer mutuamente.

Ibase – Existe previsão de continuidade?

Regina Novaes – Existe muita disposição e vontade. Estamos buscando apoios para concretizar ideias de consolidar a rede que construímos e também ampliar o espectro da investigação.

Publicado em 26/6/2009.
Comentários
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Parabéns
Christina Vital (200.152.98.xxx) 07-07-2009 10:27:04

Parabéns a toda equipe pelo trabalho realizado. À Regina Novaes um parabéns
especial pela condução inteligente, e aposto, doce desse trabalho. Fico
torcendo para que novos apoios surjam (quem sabe da Fundação Ford, heim?) para
construirem novas possibilidade de produção e divulgação das informações e
do conhecimento que produziram. Parabéns, IBASE. Bateram um bolão! Christina
Vital
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