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Sociedades sul-americanas: o que dizem jovens e adultos sobre as juventudes |
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Escrito por Redação colaborou Fabiana Born
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Qua, 01 de Julho de 2009 15:01 |
América do Sul
Jovens integrantes da sociedade civil organizada de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, bem como coordenadores(as) da pesquisa “Juventudes Sul-americanas: diálogo para a construção da democracia regional”, estiveram reunidos(as) no Rio de Janeiro para realizar a última fase desse levantamento, bem como participar do lançamento da publicação “Sociedades sul-americanas: o que dizem jovens e adultos sobre as juventudes”.
O livro “Sociedades sul-americanas: o que dizem jovens e adultos sobre as juventudes” é o resultado de mais uma etapa da pesquisa “Juventudes Sul-americanas: diálogo para a construção da democracia regional”. A publicação apresenta os resultados obtidos durante a segunda etapa da pesquisa, fase quantitativa, realizadas de 16 de agosto a 2 de novembro de 2008, na qual foram ouvidas 14 mil pessoas, entre 18 e 60 anos, à respeito do tema juventude. O número de entrevistados(as) por país foi proporcional à população de cada um deles. Os resultados apresentam uma margem de 95% de acerto.
Para o lançamento da publicação foi realizado evento que contou com a presença de jovens sul-americanos(as) que participaram da última etapa da pesquisa, o Grupo de Diálogo Regional, que falaram sobre a situação socio-político-econômica em seus países e a atual situação da juventude em cada um deles.
A investigação, que começou em 2007, tenta entender as demandas da juventude em Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Apresenta caráter pioneiro e histórico por ser a primeira vez que jovens e adultos são ouvidos(as) sobre juventude simultaneamente nos seis países.
Regina Novaes, coordenadora regional da pesquisa, fez uma breve análise do trabalho realizado até agora e expôs os principais dados. Segundo Regina, a ideia era retratar o momento atual. Dentre os principais dados revelados foi constatado que a atual geração estuda mais que a dos pais, que a rejeição ao aborto é majoritária em todos os países, com diferença pequena entre jovens e adultos. Também mostrou que jovens têm maior abertura sobre legalização da maconha e orientação sexual que adultos porque é algo que faz parte do cotidiano e da realidade deles(as).
Observou-se também que esta é a primeira geração na qual jovens do ensino fundamental usam Internet. Entre as demandas mais importantes para jovens estão trabalho, educação e segurança. Seus maiores medos são a violência e falta de água no planeta.
A necessidade de ampliar a participação e chegar à juventude não organizada foi um traço comum a todos os países. “Percebeu-se que jovens de hoje estão mais atentos, percebem mais as desigualdades. Discriminação e preconceito são palavras com papel fundamental para integrar jovens”, afirmou Regina. A questão da ampliação da participação juvenil também apareceu como uma das principais questões no Grupo de Diálogo Regional, última etapa da pesquisa, que aconteceu de 16 a 18 de junho de 2009 e foi encerrada com o lançamento da publicação.
Para Rodrigo Funes, do Movimento pela Liberação da Canábis, do Uruguai, “apesar das diferenças, há uma parte das demandas que todos temos em comum. Carências que estão presentes em toda a América Latina e que são reflexo de um plano de sistema neoliberal”.
“Queremos que a experiência que temos, também a individual, sirva para poder garantir esse processo de transformação latino-americana”, disse Pablo Lobo, presidente do Centro de Estudantes da Universidade de Valparaíso, do Chile.
O evento também contou com a apresentação de um vídeo sobre juventude no Paraguai, realizado em maio pela Instituição Base Is, coordenadora da pesquisa no país. Em seguida, um(a) jovem de cada país, apresentou, em linhas gerais, a situação política e econômica de seus países e falou sobre condições e demandas de suas juventudes nessa conjuntura.
A primeira a se apresentar foi Cintia Monaco, do Movimento Social – Demandas por Direitos Sociais, da Argentina. Ela contou que uma das maiores demandas da juventude é o acesso a tecnologia. Em um país onde a juventude representa 25% da população, “mais de 60% dos jovens não tem acesso a nenhum tipo de tecnologia, é um dado preocupante. Outra forte demanda é o emprego. Um emprego de qualidade que permita viver com dignidade”, afirmou.
O segundo a se apresentar no evento foi Ivan Pinto, do movimento Eco Clubes. Segundo ele, cerca de 25% da população boliviana é composta por jovens, por isso destacou a importância de projetos como a pesquisa Juventudes Sul-americanas. “Ações como essa fortalecem nossas luta. Ver de perto a atuação de outros jovens em outros países nos dá força para continuar.”
Segundo Erick Iñiguez, da U-Pieb, que coordenou a pesquisa na Bolívia, “é a primeira vez que a Bolívia promove uma pesquisa tão grande sobre juventude. Quando trabalhamos com os grupos em âmbito nacional, sempre nos referíamos a jovens de outros países. A partir da pesquisa, foi possível estreitar laços com esses jovens e também se dar conta que não são tão diferentes”.
Erick também destacou a relevância da pesquisa para o atual momento político de seu país. “Estamos em um momento de aprovação da Constituição política do Estado, que deveria permitir que sejam abertos novos espaços de participação de jovens. A Constituição estabelece, mas não define as ferramentas. Creio que a investigação vai ajudar de alguma maneira para que isso se concretize”.
Olinda Pereira, do Coletivo Regional Juventude e Participação Social Bahia, do Brasil, enfatizou que a juventude brasileira é marcada pela diversidade. Ressaltou o trabalho desempenhado pelo governo na criação de ferramentas para assegurar os direitos da juventude, como a Secretaria Nacional de Juventude e a primeira Conferência Nacional de Juventude, que aconteceu em 2007, em Brasília. Um consenso entre participantes dos demais países membros da pesquisa foi o avanço em relação à discussão e criação de políticas públicas para jovens no Brasil.
Em seguida, Lissette Samit, presidenta da União Comunal de Organizações Juvenis, do Chile, falou sobre a grande distância, física e econômica, entre as classes sociais no país, e frisou que saúde e educação são as principais demandas da juventude. Cerca de 15% da população chilena é composta por jovens. Lissette alertou que esse número vem caindo e que a situação de jovens é muito delicada no momento. “Temos um conselho de juventude, mas ele funciona como uma assessoria para o presidente nas questões relacionadas à juventude, não como um órgão voltado às demandas de jovens.” Ela afirma que os empregos para jovens também são precários, “apresentam péssimas condições”.
Sully Emilse, do Conselho Juvenil de Agricultores, do Paraguai, levantou a questão da educação como uma das principais demandas da juventude do país. Sully relatou que só existem duas universidades públicas e nenhuma delas está na área rural. Ela também destacou o momento político do Paraguai, com a chegada de Fernando Lugo à presidência e o fim da ditadura do Partido Colorado.
Encerrando as apresentações, Lourdes Rosário, da Produção Audiovisual Comunitária, do Uruguai, revelou que o país está mais voltado para a Europa e que não existe uma população indígena, o que dificulta o estabelecimento de uma identidade próxima aos países da América do Sul. No Uruguai, 22% da população é de jovens. Contudo Lourdes afirma que eles enfrentam uma grande dificuldade de emancipação e que jovens que possuem melhor situação econômica deixam o país para estudar.
O assistente de coordenação da pesquisa, no Paraguai, Diego Segovia, resume: “O que vimos nesses dias foi uma grande vontade de integração em relação às lutas. Temos que aproveitar esse potencial. Vimos que com muito mais facilidade as organizações podem chegar a consensos, a pontos comuns. Sem homogeneizar, respeitando as diversidades. Espero que seja o início de uma articulação muito mais sólida entre os movimentos sociais dos diferentes países nos setores juvenis. Uma superação das fronteiras que permita a construção de uma democracia transnacional”.
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